A carta que publico foi escrita por um amigo, ou pessoa a quem eu admiro, que em suas fotografias ao lado de mulheres se mostra em absoluto desânimo. Talvez suas frustrações tenham germinado em área sexual. Por que não? Afinal, todo frustrado é privado da satisfação dum desejo ou duma necessidade. Eis a carta:
Ah, Egle, acho que esqueci de dizer que, desde meus verdes anos, abomino a idéia de amor, seja entre homem e mulher, seja entre pessoas do mesmo sexo. Desconheço idéia mais perniciosa. Começa como uma criação literária, nos poemas de Safo (e com conotações homossexuais, bem entendido), depois é encampada pelo cristianismo, como exclusivamente entre homem e mulher, e ampliada para essa idéia absolutamente estúpida de amor ao próximo. Nietzsche e Kierkegard perceberam muito bem isso, quando escrevem que a idéia de amor ao próximo, que é universal e impositiva, destrói a de amizade, que é seletiva e espontânea.
Se uma mulher me diz "eu te amo", já vou tomando distância, não quero neuroses à minha volta. Nada pior que uma mulher apaixonada. Jamais usei a palavrinha, talvez por ojeriza aos filmes de Hollywood. Amizade, tudo bem. É inclusive sentimento mais duradouro, isento da variações de humor do tal de amor. Felizmente, raras foram as mulheres que se aproximaram de mim com esse palavreado, e se chegaram perto não esquentaram banco por muito tempo. Conservo ainda algumas namoradas dos dias de universidade. Foram as que não me falaram de amor.
Assim, te enganas redondamente se achas que é preconceito contra homossexuais. Sempre os defendi, desde que comecei a escrever. Claro que não suporto passeatas de bichas, ainda mais quando financiadas pelo dinheiro público. Homossexuais, tudo bem. Homens efeminados, essas caricaturas de mulher, isso me parece ridículo. Prefiro até mesmo travestis, que pelo menos constituem um terceiro gênero.
Não sou um decepcionado com a deidade cristã. Claro que ela deixa muito a desejar, mas não é nada disso. É que não consigo conceber racionalmente a idéia de um deus. Li muito sobre história das religiões e particularmente sobre a história do cristianismo. Torna-se evidente que a idéia de deus é um instrumento de poder criado pelo ser humano. Fé é outro departamento: ou se crê ou não se crê. Nada tem a ver com lógica ou razão.
Tampouco acho que o homem venha de uma gota fétida. Fétida por que? Até parece o Agostinho: "O homem foi concebido em pecado, nasce entre fezes e urina, através de dores atrozes..." Não, não participo disso. Também não vou para um lugar de vermes. Depois da existência da cremação, eles não farão banquete comigo.
--------- E MINHA RESPOSTA--------

