Internalizando nossos conceitos éticos, construímos nossos juízos morais e exigimos os mesmos conceitos de toda sociedade, enquanto criamos leis e normas de conduta em que, nelas, delas e por elas, exigimos respeito.
Considerando a perspectiva aristotélica da busca da felicidade como propósito da existência humana, algumas pessoas constroem conceitos que, ao mesmo tempo estranho à muitas outras, encontram nela a justificativa de seus atos.
É inerente ao homem que faça juízo de tudo e o juízo estará sempre imbuído de seus valores éticos, seja de natureza filosófica ou religiosa. Na busca insessante daquilo que possa fazer do homem um ser feliz o critério usado para que se estabeleça juízo sobre si mesmo será o que menos ou nenhuma dor causar, afastado de culpas por, nessa busca, encontrar justiça. O modo correto e racional de agir perpassa sobre fronteiras espaciais e temporais, alternando-se entre o útil e o necessário, o que convém e o que é sensato. Contudo, as regras de conduta sempre estarão adaptadas ao contexto de uma determinada sociedade e cultura.
O avanço das tecnologias para comunicação torna mais evidente a alternação de valores. Considerando o individualismo coletivo praticado nas relações virtuais, é possível alguem se comportar como o protagonista do filme "As Confissões de Schmidt" (About Schmidt, 2002), externando algo como quem conversa consigo, não com outrem. Não se tratam de mentiras, mas da efemeridade do outro. O outro passa a ser somente uma máquina, o que libera de questões éticas, morais, emocionais ou religiosa.
Nas palavras de Donn Parker, em seu livro Crime por Computador: “A computação remota liberta os criminosos do pré-requisito histórico de terem de se aproximar de seus crimes. Anonimato e libertação do confronto pessoal com a vítima aumentam a facilidade emocional de se cometer um crime, ou seja, a vítima era somente um computador, não uma pessoa ou empresa de verdade.”

